
Vento frio e sol genuíno
Flores tristes e terra escondida
Vôo em desespero
Na estampa da vida
È a natureza como peça
Arquitetada pela sombra
Dos dias e o sono em tréguas
Artificial como a vertigem
De algo que aparenta o belo
O som que sai das coisas
Mostra os picos elevados
Da tortura de ser
Perante o mundo que existe
Apenas na lembrança
Na imperativa vontade de fugir
De criar asas e seguir até o fim
Da escala natural da consciência
Quando cria outros mundos
De não perder a vivência do sonho
Ou transforma-la em ingratidão e falta
Tudo isso se bastaria
Se não tivéssemos que recordar
Inconscientemente os limites do futuro
Da morte e da possível vida
Repetida no querer transcende
A essência não está no passado
Está no cair das folhas
Está no sussurro dos ventos
No propagar da vida em movimento
Sem lembrança
Sem visões e nem sonhos
Nem no sentir e no falar
Está no existir e mutar sem rumos
Está no desconhecido que impera
Porque nada mais justo que o não saber.