Quando pensamos na vida, pensamos em seu mistério. Pensamos em seu modo cauteloso de nos transpor em sua realidade. Tudo aquilo que está para além dos olhos, parece comunicar-se numa verdade. Isso porque quando percebemos o mundo ao nosso redor, podemos antes do sonho vivenciá-los através do pensamento, pois o pensamento no sonho foge o nosso controle. Tal admiração não está no mundo, mas em pensá-lo ingenuamente. Fantasias não bastam se de alguma forma não tenham a condição de serem verdadeiras, e a verdade pode ser o apenas o pensamento que não tem controle.
Quando me refiro ao mistério, estou querendo me referir à essência, que de algum modo pode ser pensada. As coisas têm um vir-a-ser constante, mas não em matéria de substância física, mas sim, de modo inteiramente abstrato. Nossos pensamentos podem estar embutidos nos próprios sentimentos, quando levados seriamente na luta pelo significado das coisas, e isso nos tira a verdade presente, para transcendê-la na imaginação. O movimento das mutações das coisas, não está apenas no concreto, muito mais em uma disposição de contemplo, antes e depois do choque com a realidade. E as verdades são inúmeras quando não compreendidas de modo criativo. Talvez o que modifica as possibilidades de uma existência digna, diz respeito ao vigor inserido, na determinação gerada pelo mistério.
Mistério! Que palavra cativante quando quer simbolizar nossos limites!
Mas porque escolhemos optar por um limite e não a eternidade vista nos sonhos?
Nas profundezas de tudo que se vivifica em lágrimas conceituais, mora uma esperança distante como o pesar saliente sobre o infinito, e um brilho destemido toma a totalidade do mundo e dos pensamentos, propondo por existir, um desesperado brandir. Em torno da qual está disposto a qualquer ocasião em que de modo irreversível estamos suspensos.
domingo, 25 de abril de 2010
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