sexta-feira, 17 de abril de 2009

A cabeça menor é a que manda.

É a possessão que ilude acreditar no prazer uma vez concebido e gozado a uma distancia então imaginada porque não há limites, não há conformidade com a realidade. Muitas pessoas destinam uma grande parte de seus pensamentos a admirar constantemente uma coisa, por que em primeira instancia foi bom. Mas não se chega a um limite por imposições de sua falta de intelecto. As pessoas não conseguem se livrar da possessão porque praticam seus prazeres por respeito ao hábito. Pegando um tema específico, temos o exemplo do sexo. Muitos não se conformam com a idade. Esse era a fonte de todo sua passagem na vida, no sentido de usufruí-la tão diretamente. A melhor coisa entregue aos homens. Se pararmos para pensar há uma divisão entre fazer a coisa e ver a coisa. Os filmes de sexo são comparáveis a obras de arte que tomaram lugar do fator estético dos detalhes, da natureza e de tudo que está inserido na vida. De imaginar e se conformar em seu não-acontecimento. Garanto que assistir um filme de sexo da mais prazer em alguns casos do que propriamente fazer. São outros ângulos de visão, é o jeito com que se pode fazer o que quase todos fazem; que torna o ego dos homens resignados a comentários de sua capacidade sexual. É vergonhoso aparentar uma insuficiência tão decisiva para sua imagem. Não pensam que os comentários poéticos depois de feito o sexo, pode ser os mesmos com que se utiliza para persuadir a uma ambiciosa intenção. De que é normal entre casais haver esse dialogo depois do sexo, para satisfazer ambas as partes, para tornar quem está perto tão especial quanto qualquer outro. O jeito com que se faz não é em absoluto incrível como se pensa. Os variados modos com que se pode fazer sexo deixam incumbidos a uma outra parte achar este modo relevante, enquanto que em outros casos não. Mas essa negação não pode ser levada tão adiante e a sério. E é aqui que reside à fonte de possessão, a partir de uma simples negação a respeito do que se é, pode levar adiante a imaginação e o desejo de ser para alem daquilo que se é. Quando o homem se entrega a possessão do sexo, por exemplo, testa sua capacidade a todo instante. De modo exagerado e fingido, repleto de ações sem cabimento e forçadas a uma realização pessoal, o homem perde o respeito aos outros e o que é pior, a si mesmo. No que diz respeito aos velhos, o que deveria ser um momento de reflexão a respeito de suas vidas, acaba se transformando numa angustia por estar limitado a não fazer o que se gosta. E desejar rumo ao fim de suas vidas um dia daqueles de juventude, junto a todos os comentários e gratificações pelo êxtase do sexo. Fora o fato de que passam a maior parte do tempo em locadoras alugando filmes para firmar sua concepção de especialistas do sexo. Não é muito difícil chegar a este estágio, pois sabe Deus o que acontece psicologicamente quando chegamos à velhice. Mas se estamos propensos à idiotice a gravidade do problema se torna maior. Penso apenas que se pudessem ao menos manter o respeito com suas mulheres – se é que chegam a ficar com alguma –, filhos, vida, pessoas ao redor, guardar para si seus comentários idiotas, maldosos e antagônicos, e dedicar suas vidas a tentar mudar estes estímulos decadentes, tentando esquecer o lado ruim da vida que tentam esquecer nos prazeres exagerados, ser ao menos um pouco compreensíveis com aqueles que tentam viver a vida sem toda essa maldade humana de desrespeito e agarrada a uma idéia tão banal da vida, seria um bom sinal de que os homens possuem uma capacidade de olhar para alem do que para eles é mérito em vida e de fato fazer para tanto.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Caríssima falta de intensidade

Por mais que tentamos manter aquilo que gostamos, para não dizer que amamos, que vivemos a atribuir cores para tentar encontrar algum significado plausível e enfeitar nossa vida de forma a respeitar nossos sonhos, entre todas as chances e em especial aquela que está mais perto, ficamos sujeitos a não encontrar mais as combinações que possam tornar os momentos mais felizes, como foram uma vez, pois me parece que a vida ao mesmo tempo em que nos determina a viver uma paixão, impõe ações para o futuro em surgimento da angustia, nostalgia e arrependimento. Aquela cuja permanecia nos faz lembrar do inicio, nos faz aceitar por consciência de ternura diante do tempo, que ao nascer de novas vivencias, faz-nos amar todas as coisas por medo de perdê-las.
Talvez o amor seja uma forma de explicar a existência do nada, pois sempre que focamos o pensamento no que sentimos, para tentar entende-lo, até mesmo por não termos a capacidade de pensar em tudo ao mesmo tempo, chegamos à conclusão de não saber que o amor existe, pois é fruto deste nada que nos determina a defendê-lo, por ser incerto e por não ser único. Somos capazes de amar qualquer coisa, desde que esteja perto, desde que faça parte de nossas vidas e que possamos admirá-las em respeito a sua perfeição que não existiria se não houvesse falhas.
Podemos dizer que sonho é aquilo que desejamos, e nada mais. Não se pode confundir o que desejamos crentes na existência de um mundo extra-empírico, porque muitos sonhos são esquecidos, geralmente aqueles que são dolorosos ficam ou na inconsciência ou simplesmente se transforma num trauma. O inconsciente não passa de um mero esquecimento. E a partir disso sonhamos que o sonho exista para alem daquele que necessitamos para viver.
Mas somos fortes e muito criativos quando o assunto é amar, sonhar e conspirar rumo ao ciclo vicioso de sentimentos em busca de uma redenção para esta vida. Poucos conseguem levar adiante a idéia de amores eternos, porque não os vivem, e não os viver é se basear apenas na esperança continua de não compreender a vida. Se o amor existe é porque estamos a modificar nossos sonhos. É porque estamos prestes a ver o lado obscuro da vida e não se conformar por ele ser indiferente daquilo que é visível.
A vida depois de um tempo acaba se tornando numa escolha, entre tentar compreender a vida, vendo suas ligações, ver como ela consegue modificar tudo ao nosso redor e ficar entusiasmado por sua sabedoria. Idéia mesma que para alguns de fato é sentida e levada adiante, e para outros só um momento de descontração quando olha para as estrelas. De um outro lado intensificar a vida tentando vive-la sem pensar muito na sua grandiosidade. O pensamento é um apaziguador do conflito entre viver as coisas e compreender as coisas. Mas para que possamos compreender as coisas, devemos viver as coisas. Então segue que é mais proveitoso em respeito à vida, escolher uma dessas hipóteses e se acomodar com que tal escolha vá nos munir. Nesse sentido é que o amor que tanto falamos, defendemos e optamos, faz sua parte. Sendo fruto de um não compreender, de um nada que ressaltamos por instinto, talvez seja apenas um sentimento de não escolha entre compreender a vida e viver a vida. Por isso dizemos que quem pensa na vida é um amante dela porque não consegue compreende-la para alem do que o espírito pode sugerir. Para aqueles que vivem a vida, que aproveita as coisas de sua forma, é mais possível que tenha gloriosos sonhos, que nunca esteja acomodado em amá-la pela permanência do tempo, pela indiferença das coisas, embora as ame de uma forma mais viva, deixando o que é morto para aqueles que pensam e tem o papel de transformar a riqueza do mundo destinada a encontrar algum significado que explique porque as coisas morrem, crescem e vivem e porque isso deve ser ressaltado quando a questão é meramente viver.