quinta-feira, 9 de abril de 2009

Caríssima falta de intensidade

Por mais que tentamos manter aquilo que gostamos, para não dizer que amamos, que vivemos a atribuir cores para tentar encontrar algum significado plausível e enfeitar nossa vida de forma a respeitar nossos sonhos, entre todas as chances e em especial aquela que está mais perto, ficamos sujeitos a não encontrar mais as combinações que possam tornar os momentos mais felizes, como foram uma vez, pois me parece que a vida ao mesmo tempo em que nos determina a viver uma paixão, impõe ações para o futuro em surgimento da angustia, nostalgia e arrependimento. Aquela cuja permanecia nos faz lembrar do inicio, nos faz aceitar por consciência de ternura diante do tempo, que ao nascer de novas vivencias, faz-nos amar todas as coisas por medo de perdê-las.
Talvez o amor seja uma forma de explicar a existência do nada, pois sempre que focamos o pensamento no que sentimos, para tentar entende-lo, até mesmo por não termos a capacidade de pensar em tudo ao mesmo tempo, chegamos à conclusão de não saber que o amor existe, pois é fruto deste nada que nos determina a defendê-lo, por ser incerto e por não ser único. Somos capazes de amar qualquer coisa, desde que esteja perto, desde que faça parte de nossas vidas e que possamos admirá-las em respeito a sua perfeição que não existiria se não houvesse falhas.
Podemos dizer que sonho é aquilo que desejamos, e nada mais. Não se pode confundir o que desejamos crentes na existência de um mundo extra-empírico, porque muitos sonhos são esquecidos, geralmente aqueles que são dolorosos ficam ou na inconsciência ou simplesmente se transforma num trauma. O inconsciente não passa de um mero esquecimento. E a partir disso sonhamos que o sonho exista para alem daquele que necessitamos para viver.
Mas somos fortes e muito criativos quando o assunto é amar, sonhar e conspirar rumo ao ciclo vicioso de sentimentos em busca de uma redenção para esta vida. Poucos conseguem levar adiante a idéia de amores eternos, porque não os vivem, e não os viver é se basear apenas na esperança continua de não compreender a vida. Se o amor existe é porque estamos a modificar nossos sonhos. É porque estamos prestes a ver o lado obscuro da vida e não se conformar por ele ser indiferente daquilo que é visível.
A vida depois de um tempo acaba se tornando numa escolha, entre tentar compreender a vida, vendo suas ligações, ver como ela consegue modificar tudo ao nosso redor e ficar entusiasmado por sua sabedoria. Idéia mesma que para alguns de fato é sentida e levada adiante, e para outros só um momento de descontração quando olha para as estrelas. De um outro lado intensificar a vida tentando vive-la sem pensar muito na sua grandiosidade. O pensamento é um apaziguador do conflito entre viver as coisas e compreender as coisas. Mas para que possamos compreender as coisas, devemos viver as coisas. Então segue que é mais proveitoso em respeito à vida, escolher uma dessas hipóteses e se acomodar com que tal escolha vá nos munir. Nesse sentido é que o amor que tanto falamos, defendemos e optamos, faz sua parte. Sendo fruto de um não compreender, de um nada que ressaltamos por instinto, talvez seja apenas um sentimento de não escolha entre compreender a vida e viver a vida. Por isso dizemos que quem pensa na vida é um amante dela porque não consegue compreende-la para alem do que o espírito pode sugerir. Para aqueles que vivem a vida, que aproveita as coisas de sua forma, é mais possível que tenha gloriosos sonhos, que nunca esteja acomodado em amá-la pela permanência do tempo, pela indiferença das coisas, embora as ame de uma forma mais viva, deixando o que é morto para aqueles que pensam e tem o papel de transformar a riqueza do mundo destinada a encontrar algum significado que explique porque as coisas morrem, crescem e vivem e porque isso deve ser ressaltado quando a questão é meramente viver.

Um comentário:

  1. Pensar sobre a vida....
    coisa mais fantástica que isso....
    axo que não existe.......
    ou melhor não somente pensar mas filosofar...
    sobre o complexidade que é o viver(aos olhos de criaturas ... mais complexas.)....
    que fascina e confunde.... mas também ilude...
    não devemos ser mediocres e ter pensamentos mediocres, e sim explorar essa infinitude de questões ainda sem respostas, se é que existem respostas...

    abraço ai e parabéns...
    muito bom seus "reflexos"...

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