sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Fases do amor


As fases do amor
Dependem da perda
Da separação que excita o pensamento
A movimentar as engrenagens
Enferrujadas pelo sentimento
A fim de regressarem novamente
A um por que
Que encontramos mais facilmente no amor
Seguida de um sadismo natural
Que adiciona à textura das flores
Um velar temporário
Que no angustiante papel da natureza
Precisa forjar
Para contentar-se da perda eterna deste mundo
Noutra e indiferente rosa
Embora sacie nas estações
Gestos de felicidade e contínuo enaltecimento
Das suas feições
Torturado pelo amor de si humano
As fases do amor crescem
Porque precisam nos comunicar de seu amadurecimento
Que enquanto sobrevive em seu aparente contento
Faz-nos pensar apenas na idéia
Se caso um dia tudo isso acabe
Talvez o amor venha nos buscar
Para viver novamente
Nem que seja só para aceitar a perda
Numa outra fase do amor.

domingo, 20 de setembro de 2009

Dez às nuvens do ar

Quem disse o primeiro pai nosso
Ele está no ar
Ou ele está nos sonhos?
Ou no contido amor

Qual a pergunta secreta
Que escondemos?

Quem sabe algum lugar
Há de nos dizer
Palavras sinceras
Como o açoite dos segundos
Entre um comovido pulsar
De uma flecha jogada ao medo

Quem sabe a verdade dos sentidos
Pode dizer o quanto estamos errados

Hoje é o dia de dez às nuvens do ar
Sobressalta no relevo azul
De uma consciência cheia de esperanças
Por determinações que fogem a nossa indagação

Mas chegado o tempo da aurora
Os dias compõem no suspiro
O mecânico salubre a nossa indiferença
Desfazendo todas as nossas certezas sensíveis

Bastando o conforto dormente de uma luz
Há um eco em nossa embriaguez
Que se qualifica da mesma forma
Como penas jogadas ao vento?


15/09/2009
Cristian Gladistone Kossmann
Matusalen Kossmann Bergamin