Sóbrio na madrugada
Meus alentos andam escassos de ternura
Manter-me adiante é uma opção humilde
Como quem não vê nada
Viro as costas para o passado
E cegamente tateio o futuro
Porque o presente será alterado
Nesse momento é a certeza de existir destino
Que qualifica meus sentimentos a não os ter a todo o instante
Muito menos da forma desejada
Porque nesse mundo não há escolhas
Escolher é uma ilusão que conforta
E deixa traços daquilo que nunca havíamos pensado acontecer
Por eles há de existir sentimentos novos
Sentimentos que fortalecem calmamente minha euforia
Mas mesmo a vida seguindo nessa exclusividade momentânea
De nos dar a chance de chegar a algum lugar
Faz das melhores coisas passarem despercebidas
Porque demoramos muito para realmente entender a vida
Pois estamos sempre pensando no que virá
E mesmo que quiséssemos viver tudo
Não bastaria
Porque nunca nos chega à mente a hipótese de se viver tudo
Nem mesmo sabemos o que seja este tudo
Sabemos apenas que o tempo é divido
Entre lembrar, viver e conspirar
E por isso tudo deve ser congregado a nossa satisfação
Do modo mais simples possível
Para que o próprio entendimento
Crie e torne-se obstinado pelo provisório que satisfaz
Preferimos não olhar para as estrelas
De medo de penetrar na loucura do infinito
Porque dependendo da circunstancia
Dispomos demais dos sentimentos
E ao mesmo tempo em que ficamos convencidos
Que nesta vida sentir é a maior grandeza
Pensamos se por acaso nos largássemos rumo ao desconhecido
Teríamos chances de voltar a sentir
Falar no tempo é aceitável
Sempre que precisamos entrar em colapso
Com as coisas
Para ver se elas se expressam de outra maneira
Se como as pessoas simplesmente só existem
E nos fazem dependentes delas
E em beneficio delas manter todos nossos contentos
Não podemos nem dizer a elas o quanto as amamos
Por que nem isso compreendemos direito
Podemos difamar os sentimentos tentando expressa-los
Para que os outros possam entender o que sentimos
O amor não anda sozinho
Esta sempre de mãos dadas com algo que lhe é digno
A imaginação é quem cria este hiato
Mesmo que por demais criativa
Nunca saberemos sua procedência
Nem por que nos basta criar outros mundos
Sabemos apenas que alguns por isso
Inventam demais
Deixando a loucura suspensa
E nunca poderemos também
Saber exatamente do outro
O que a loucura lhes fornece de tão sagrado
Incentivando a minha temperança a pensar por si mesma E me deixar nessa angustia de o mundo ser tão o mesmo.
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