quarta-feira, 24 de junho de 2009

Talvez o tempo não exista
Talvez o tempo que há de existir é apenas um escravo
Porque o natural da morte não pode ser quebrado
Enquanto vivermos neste mundo não temeremos a morte
Mas nossa incapacidade antes dela

O tempo e morte acabam sendo a mesma
Quando temos abstratamente as conseqüências de uma e outra
Mas a suposição de um prazer dura para sempre
Por isso logo após o tempo que não existe e a morte
Criamos o paraíso como recompensa e redenção

Indubitavelmente e do mesmo modo provisório
Podemos chegar à conclusão de que não seremos nós
Mas nossa alma
Nossa alma com os sentidos melhorados
De modo a ter o desgasto contido conforme nossa aceitação

O tempo que rege o tempo de nossos corações biológicos
Pode conter a mentira de todas as estações
Enquanto elas necessitam apenas de algo a mais ou de menos
Que no tempo saudamos como se existisse um personagem
Que num tempo é misericórdia e noutro apenas mutação.
Basta um breve momento fora do tempo
De olhos fechados imaginando o mundo
A partir daquilo que se conhece
E perceber que na escuridão tudo pode ser renovado

Basta olhar para dentro de si
E não buscar conhecer por completo
Mas aceitar as referências
Como propriedades dos sentimentos

Basta manter o espírito de unidade
Que nos impõe ao fator de amar
E sobreviver com base no incerto
No respiro de um segundo bem aventurado na escuridão

Cuja luz mostra no mesmo tempo em que esconde
As partículas de toda ocasião
Seja ela familiar nos sentidos
Embora ambígua na imaginação

Pois quando tudo volta ao início
Carrega consigo um modo de viver alterado
Leva consigo a suposição de alguma luminosidade característica
Porquanto é apenas um modo de sonhar e nada mais.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Os dias passam mecanicamente nos relevos altos da consciência
Perpetuam em todos os instantes vestígios de um futuro funesto
Bendizendo todo estado comum de cada objeto apreensível
Forjado na ocasião de te-los e verdadeiro no erro de alterá-los

Basta um dia em meio há todos os segundos
Para logo mudarmos de imagem e nos mutar em sua pertença
Basta apenas existir para ser outro a cada tempo
Enquanto as possibilidades se estruturam nos fatos que criamos despercebidos

Embora o autômato regular em minha concepção
Se atenha a atribuir seu significado triste
Não me oponho dizer que a incerteza é parte de todo mecânico
Nas andanças simples de todo tempo ingênuo que cria a ilusão de uma verdade

A verdade quando apreendida é percebida como o sentimento
Toda verdade é significativa e relevante quando respeita nossos anseios
Mas nem toda verdade é acessível por culpa dessa desunião que os dias criam
Porque em nossa mente as coisas são exteriores, cabendo a nós emancipar sua neutralidade quando sentidas de um modo mais digno.

Não se costuma tornar todo dia antes do sonho um sonho real
Não há espaço concreto afirmar que nada sabemos
Mas porque no sonho a coragem se intensifica?
Será que nossos receios são curados quando forjados a um limite?

O mistério do sonho nos dias é o atalho crédulo que viajamos
Diante da hipótese da existência de uma única realidade
Em meio aos feitos do devaneio crucial enquanto casuloQuando amplifica o natural em sua reserva e insanidade no fator de ser.