quinta-feira, 27 de maio de 2010

Curvas belas como um sorriso

Se existe uma dualidade ideológica nas coisas, é porque talvez houvesse um exagero em particionar como numa abóboda, sua representação única.
Desmembrá-la não é e nunca será o mesmo que conhecê-las. Conhecê-las diz respeito a deixá-las como estão, pois isso basta. Não preciso atribuir nome a todas as suas pétalas, preciso apenas vê-las caindo. Preciso perceber que a morte está no cair da folha que dança invariavelmente em seu destino. Posso adormecer em seu regresso contando, que ela chegue até mim, para me dizer o que viu. Se não viu nada ficarei tranqüilo. Se por acaso chegou a perceber algo, logo surgirá uma idéia, que não é aquela que transfigura as coisas para além do que elas são. Pois se perceber que o movimento é uma justa manifestação de todo e seu gesto, perceberemos que isso é a essência que tanto procuramos, porque não posso encenar seu movimento, partindo da memória de apenas vê-las. Pois o que está ao meu alcance num eufórico momento é sua exclusividade reforçada pela esperança da vida. E talvez seja por assim dizer que indispensavelmente nascemos gritando qualquer coisa, e vamos aprendendo a dizer o que não tem palavras, conforme se aprende a qualificar nossas calamidades numa ação.

Ninguém pode dizer que a natureza pode saciar-se na morte. Muito mais evidente é o seu encanto, quando atribuímos o pensamento a movimentar a sua coragem, que simplicidade nenhuma retém em toda sua clareza.

Testamento do choro

No choro desesperado de uma criança que não sabe por que chora, assim são meus sentimentos. Talvez pela graça do momento em que muitos estão a chorar, em sua expressão calejada pelo silêncio, vistas na face que refletem nada mais que um ter porque chorar, não me descuido por nenhum momento. Vivencio o gracejo da eterna presença no choro, como se olhando para estrelas me encontra-se abraçado-as. Deposito todo meu cansaço naquilo que está longe de perceber porque nasce o choro. Ocorre-me por certo desespero, que aprendi a chorar com elas. Mas livremente optei a expressão das lagrimas, que sugerindo o esquecimento de algo que me pertence por um breve momento, sinto a instável vertigem de todo o universo existente em minha alma, colidir com as circunstancias que são o limite, vendo-as voltar angustiadas.
Quase compreendo a idéia do mundo nessa rota que trilha sozinha o infinito. Quase vivencio o momento como se fosse à pura verdade. As lágrimas são as respostas que não encontramos nos porquês. A fantasia do choro se apaixona mais facilmente quando está prestes a sentir o regresso de si mesma, numa ansiedade distante, porque no fundo sente saudades do tempo que já não é mais, pois a corrupção da vida requer sempre um esquivar ermo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010


Presto atenção no mundo com reflexos prudentes. Como se as coordenadas presentes nas coisas deixassem de mutar nos sonhos. Que numa inspiração inabalável deixasse vivo aquilo que estava para morrer. Morrendo na eternidade de um sonho, o que transpira são tormentos possíveis; se torna aquela máxima duvida presente no devir. Movimento cujo enaltecimento se esconde num imperativo almejar estagnado. Quando o suposto significado, naturalmente impõem seu limite provisório, disfarçado teatralmente pela encenação da verdade.

Quem além de um aventurar-se no pensamento, e mascarado pela imaginação, consegue provar em águas claras o que ainda não atribuímos nome?

A natureza do mistério é sentimento. Assim como o impulso da vida é tornar-se destemido. Pois o abatimento possível em plena decadência uniforme ultraja dentre traços mediados pelo esquecimento sua pertença irrevogável. Como se a essência das coisas manifestasse seu desejo, naquilo que por um raso contemplar, determinasse a distancia entre um atributo existencial perante o mundo, e a certeza do que ainda não se vivificou numa possibilidade determinante como um feixe de luz.

Se tivermos mente aberta veremos que tudo é possível. E que embora não sejam pernas, o que se vê, são pernas que com tamanha naturalidade seguem um desequilibrado caminho. Pois o destino foi inventado por intermédio de um suposto contemplar ingênuo. Que não são pensamentos, mas são vestígios figurados em toda estrela, em seu elevar distante que num sussurro incandescente, distancia-se num lapso obliquo a angustia que usa da mesma cor que simbolizamos para o amor, e que por ventura aparece apenas em movimento. Se as coisas não permanecem neutras, visto que elas inspiram e nos transportam para o sonho, como podemos tornar o sentimento comunicável se cada aventura carrega em si tal inusitado transpirar?