Se existe uma dualidade ideológica nas coisas, é porque talvez houvesse um exagero em particionar como numa abóboda, sua representação única.
Desmembrá-la não é e nunca será o mesmo que conhecê-las. Conhecê-las diz respeito a deixá-las como estão, pois isso basta. Não preciso atribuir nome a todas as suas pétalas, preciso apenas vê-las caindo. Preciso perceber que a morte está no cair da folha que dança invariavelmente em seu destino. Posso adormecer em seu regresso contando, que ela chegue até mim, para me dizer o que viu. Se não viu nada ficarei tranqüilo. Se por acaso chegou a perceber algo, logo surgirá uma idéia, que não é aquela que transfigura as coisas para além do que elas são. Pois se perceber que o movimento é uma justa manifestação de todo e seu gesto, perceberemos que isso é a essência que tanto procuramos, porque não posso encenar seu movimento, partindo da memória de apenas vê-las. Pois o que está ao meu alcance num eufórico momento é sua exclusividade reforçada pela esperança da vida. E talvez seja por assim dizer que indispensavelmente nascemos gritando qualquer coisa, e vamos aprendendo a dizer o que não tem palavras, conforme se aprende a qualificar nossas calamidades numa ação.
Ninguém pode dizer que a natureza pode saciar-se na morte. Muito mais evidente é o seu encanto, quando atribuímos o pensamento a movimentar a sua coragem, que simplicidade nenhuma retém em toda sua clareza.
Ninguém pode dizer que a natureza pode saciar-se na morte. Muito mais evidente é o seu encanto, quando atribuímos o pensamento a movimentar a sua coragem, que simplicidade nenhuma retém em toda sua clareza.
