quinta-feira, 27 de maio de 2010

Testamento do choro

No choro desesperado de uma criança que não sabe por que chora, assim são meus sentimentos. Talvez pela graça do momento em que muitos estão a chorar, em sua expressão calejada pelo silêncio, vistas na face que refletem nada mais que um ter porque chorar, não me descuido por nenhum momento. Vivencio o gracejo da eterna presença no choro, como se olhando para estrelas me encontra-se abraçado-as. Deposito todo meu cansaço naquilo que está longe de perceber porque nasce o choro. Ocorre-me por certo desespero, que aprendi a chorar com elas. Mas livremente optei a expressão das lagrimas, que sugerindo o esquecimento de algo que me pertence por um breve momento, sinto a instável vertigem de todo o universo existente em minha alma, colidir com as circunstancias que são o limite, vendo-as voltar angustiadas.
Quase compreendo a idéia do mundo nessa rota que trilha sozinha o infinito. Quase vivencio o momento como se fosse à pura verdade. As lágrimas são as respostas que não encontramos nos porquês. A fantasia do choro se apaixona mais facilmente quando está prestes a sentir o regresso de si mesma, numa ansiedade distante, porque no fundo sente saudades do tempo que já não é mais, pois a corrupção da vida requer sempre um esquivar ermo.

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