quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Venda de livros

Hoje o conhecimento está a disposição em qualquer livraria de uma cidade. Existe uma grande variedade de livros a disposição do leitor. Os que mais vendem, são aqueles listados em revistas nacionais, por que induzem sua compra no momento em que são hierarquizadas por intermédio de um numero fático de vendas efetuadas. Então se você quer vender um livro para uma pessoa que quer apenas dar um presente, independente do tema tratado, pois na maioria dos casos, serve apenas de passa tempo, e que escutou ou leu, num outro instrumento de informação que a leitura também é prosperidade, que não deixa o cérebro envelhecer, que ajuda a memória e etc. basta dizer a quantidade de vendas já efetuadas em determinado tempo. Eis um dos casos mais comum da venda de livros. Sem contar com os intelectuais que na maioria dos casos veem apenas uma coisa, se guiam numa direção unilateral ao ponto de suas atitudes e expressões deixarem explícitos suas paixões exageradas, pode-se traçar alem do recurso ordinário do conhecimento, como o próprio popularizado intelectual de hoje, determinado pelo capitalismo de buscar materializar o que as pessoas "querem", movimentando a engrenagem do progresso, para um mundo desgastado e forjado a esperança por meio das utopias, da mesma forma se segue também a idéia de paraíso. As pessoas querem estar atualizadas, sem saber o motivo dessa atualização, mostrar-se culto é comparável ao pertence de algum objeto doméstico. Hoje se paga pela aparência, pois conforme o preço estipulado para um produto, investe-se também e simultaneamente no consolo da diferença agente e descartável que tais produtos prestam em vantagem s devidas condições. Agregamos o conhecimento à vaidade e ao ego. Temos a nossa disposição inúmeras formas de conter o pensamento, por intermédio dos prazeres, vícios e remédios. Geralmente as que mais leem, são aquelas que vivem sozinhas. Solitárias no mundo se entregam a qualquer leitura. Para aqueles que tudo deve possuir uma utilidade imediata, os livros de auto-ajuda pessoal ou financeira, são os mais indicados. Para aqueles que repetem as palavras como o fazem com a bíblia, basta pronunciar algo que complemente seus estados variados de sabedoria. Para o casal de namorados que fazem alta sujeira com sorvetes na livraria, deve-se escutar o que tem a dizer e esperar que peçam alguma coisa. Das velinhas sonhadoras e fanáticas pelo espiritismo não se deve aconselhar ler nada alem do tema que não trate de espíritos falantes, deve haver pessoas incomodando tudo, como explicação para a falta de moralidade atual. Elas gostam de ler sobre isso, porque depois podem escrever pros familiares, mandar mensagens do mundo do alem, comentando suas ferias no paraíso. Nem sequer pode-se aconselhar a ler Allan Kardec, porque de fato ele é muito chato. Os executivos e advogados não se deve olhar muito para eles, apenas concordar com tudo e não mostrar nenhuma falta de respeito. Trata-los como Deuses fornecendo-lhes elogios e graças. Nao se pode falar muito também, pois eles podem ficar bravos se chegarem a voltar para si mesmos e notam o quanto não sabem nada. Tem os místicos, discípulos do hinduismo, praticantes de hyoga, condutores de energia, monges e etc. calmos, porque ouviram falar que a fonte de sabedoria é ficar em silencio, ter movimentos teatrais e leves, pra depois falar sobre a trindade da existência, da redenção e do voltar-se a si mesmo - tão difícil de entender -, relaxando, transcendendo nas contradições dos seus termos ou conceitos, porque não param pra pensar cada em um deles de medo que possam ficar tristes. Os que gostam de ficar perto de uma conversa para logo expor sua opinião e não se calarem enquanto ninguém os olhar com cara de quem achou o máximo. Entre os piores estão os leitores de Bukovsky com a pitada especial de Wood Allen. Os que acham que a filosofia morreu como refugio a má interpretação que fizeram de Nietzsche. Os políticos esquerdistas que tem como Deus, Carl Marx. Destes últimos não se pode oferecer uma nova visão a nao ser a de que a revolução é possível. Aqueles que leram de tudo sobre a guerra, sobre os mistérios envoltos na vida de Hitler e a quantidade de números que ocupam as paginas falando de morte, massacre, injustiça e dor. Enfim, esses são uma pequena parte de leitores do mundo atual. Não vejo problemas em comentar sobre o que falei agora, porque também faço parte desses leitores, não tenho nada de especial que me coloque noutro patamar. O que desvaloriza estes livros na minha opinião, é o fato de que conhecimento, assim como a maior parte das informações que nos chegam a mente, são vagas de sentido. A leitura se tornou um entretenimento comparável aos esportes. Por isso, para se vender um livro, como se faz para vender uma geladeira, deve-se em primeira instância, mostrar qual a sua vantagem, alem da do conhecimento, ligado a diferença do antes pro agora. O novo é visto sempre como melhor, mas que na realidade é bem o contrário. Não importando qual vago são esses conhecimentos, o preferível pela grande maioria, se atem a qualquer coisa. Desde que se tenha o que ler, nas horas vagas. Outra questão importante é o preço cobrado pelo livro no Brasil. Resta aquelas que não tem condição adaptarem-se ao mais barato, e o mais barato, na maioria dos casos são as obras clássicas, que estão nas livrarias para acumular variedades. Reduzidos de forma significativa o conteúdo, sendo motivo de fetiche pronunciar o nome dos grandes pensadores da história, como se de fato em nossas mentes, tudo estivesse claro. Ler os filósofos, os poetas, os romancistas clássicos, entre outros, não é mais porque sentimos paixão por eles, porque a vida nos condicionou a buscá-los, nem muito pelo que dizem, mas sim, com que podemos fazer deles de modo imediato. O fácil acesso desses conhecimentos clássicos, faz surgir uma questão importante: Porque o sistema liberou esses conhecimentos de forma a poder adquiri-los tão facilmente, devido ao preço estipulado, sendo que pode emancipar o pensamento, elucidar nossas crenças e construir críticas? A resposta que encontro mais lucidamente prossegue do fato de que esses conhecimentos ficam carentes de sentido, de rumo, com isso inofensivo. Cabendo apenas ao especialista alicerçar sentido. As idéias propostas por esses autores clássicos, passam despercebidas, por que conseguimos admirar apenas o modo como estão dispostas as idéias, sem refletir sobre seus reais significados. Depois que terminamos de ler um desses livros, a vida continua, ou a rotina continuam, ou seja, devemos lutar para nos igualar ou sobrepor aos outros. Darwin estava certo quando disse que fazemos de tudo para mantermo-nos vivos, com isso estamos dispostos a aceitar toda espécie de males impostos pela sociedade. O que é passível de ser agregado a nossas vidas tem um porque bem determinado, pois o modo objetivo na qual tudo está disposto hoje, exclui a idéia de que possa haver exclusividade nelas, pelo modo abstrato que as percebemos, ou seja, alem do livro, tudo permanece imaterial quando não tem utilidade. A felicidade hoje é o palpável, quando maior é o modo aparente constituinte das coisas, mais distante ficamos do ato de pensar e refletir sobre o mundo. Questões como sentido da existência, finitude, liberdade, amor, crença, justiça, alma, mente, consciência, percepção, linguagem não passam de coisa pra louco, é mais fácil viver a vida e depender do pensamento somente quando precisamos tocar nas partículas elementares dos prazeres atuais, que tanto sonhamos possuir e ir à farmácia da esquina comprar o remédio mais forte para as dores despercebidas da falta de consciência, agarrada a loucura excessiva dos objetos materiais condicionada.

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